Como é a Rotina de um Engenheiro Eletricista na Petrobras

Engenheiro eletricista da Petrobras inspecionando equipamento em unidade industrial

O engenheiro eletricista da Petrobras atua em projeto, manutenção, fiscalização e capacitação técnica em instalações elétricas de refinarias, plataformas offshore, terminais, terras subsidiárias e na própria Universidade Petrobras. O dia a dia varia conforme a gerência e a fase de carreira, mas três tipos de atividade aparecem na maioria dos cargos: projeto e estudos elétricos (fluxo de potência, transformadores, áreas classificadas), manutenção e fiscalização (acompanhamento de testes em fábrica, inspeção em campo, atuação em sondas) e suporte técnico transversal (apoio a unidades operacionais, resolução de problemas críticos). O regime de trabalho é majoritariamente administrativo, com embarques esporádicos como fiscal de sonda em alguns cargos. Neste guia você vê a rotina em detalhe, com base no relato de Alexandre Alil, engenheiro eletricista da Petrobras desde 2022 e coordenador do curso de formação de elétrica na Universidade Petrobras.

É uma das ênfases de nível superior com maior diversidade de aplicações dentro da empresa, e a única em que o profissional pode acabar trabalhando dentro de uma universidade corporativa. Vamos aos detalhes.

O que faz um engenheiro eletricista na Petrobras

A descrição oficial cobre projeto, especificação, montagem, operação, manutenção e inspeção de sistemas elétricos. Na prática, o trabalho se concentra em quatro grandes frentes:

  • Projeto e estudos elétricos: dimensionamento de transformadores, estudos de fluxo de potência em plataformas e refinarias, especificação de equipamentos para áreas classificadas;
  • Manutenção e integridade: planejamento e acompanhamento de manutenções preventivas, corretivas e preditivas em equipamentos elétricos críticos;
  • Fiscalização técnica: acompanhamento de testes em fábrica de novos equipamentos, fiscalização de sondas de perfuração (vaga embarcada possível), auditoria de instalações;
  • Suporte técnico e capacitação: assistência a unidades operacionais quando há problemas que a equipe local não consegue resolver, e atuação como instrutor em treinamentos internos.

Cada gerência se especializa em uma ou duas dessas frentes, mas a estrutura de carreira permite migrar entre elas ao longo dos anos. Veja a comparação com outras engenharias em áreas com mais vagas no concurso Petrobras.

Onde o engenheiro eletricista pode atuar

A Petrobras tem instalações elétricas em praticamente todas as operações, o que cria várias opções de lotação:

Local Tipo de atividade típica
Refinarias Manutenção e operação de subestações, motores e sistemas de comando
Plataformas (apoio onshore) Projeto, integridade e suporte técnico a sistemas embarcados
Sondas de perfuração (embarcado) Fiscalização técnica em regime de embarque, ainda em volume baixo
Terminais e gasodutos Manutenção de sistemas de proteção catódica, automação e comando
Sede e prédios administrativos Engenharia de projetos, padrões técnicos, gestão de contratos
Universidade Petrobras (UP) Capacitação interna, suporte técnico transversal, coordenação de cursos

O regime majoritário é o administrativo, com jornada padrão e previsibilidade de horários. As vagas embarcadas existem, principalmente como fiscal de sonda, mas em volume bem menor que em mecânica ou engenharia de petróleo. Aprofunde em regimes de trabalho na Petrobras e em trabalho embarcado vs administrativo na Petrobras.

O conceito chave: áreas classificadas

Uma das particularidades técnicas do engenheiro eletricista na Petrobras é o trabalho em áreas classificadas, conceito que praticamente não aparece na faculdade. Áreas classificadas são ambientes com presença potencial de gases inflamáveis, vapores ou poeiras combustíveis, em que uma simples faísca pode gerar acidente grave.

Plataformas e refinarias são repletas de áreas classificadas. Por isso, equipamentos elétricos usados nesses ambientes (motores, painéis, iluminação, instrumentos) precisam ter certificação específica, e o projeto elétrico precisa respeitar normas que limitam o tipo, a localização e a manutenção de cada componente.

O conhecimento sobre áreas classificadas é uma das matérias obrigatórias do curso de formação da Petrobras para engenheiros eletricistas, justamente porque é diferencial competitivo e técnica difícil de aprender em outras empresas. Veja o conteúdo cobrado em conteúdos mais cobrados no concurso Petrobras por ênfase.

Atividades técnicas mais comuns no dia a dia

A rotina específica varia por gerência, mas algumas atividades aparecem na vida da maioria dos engenheiros eletricistas:

  • Estudos de fluxo de potência: análise de como a energia se distribui em uma instalação, identificando gargalos e oportunidades;
  • Estudos de curto-circuito: cálculo de correntes em falhas para dimensionamento de proteções;
  • Coordenação e seletividade: ajuste de disjuntores e relés para que apenas o trecho afetado por uma falha seja desligado;
  • Especificação de transformadores: a óleo ou a seco, conforme a aplicação;
  • Acompanhamento de manutenções: paradas programadas, testes elétricos, troca de componentes;
  • Apoio em automação: interface com a área de automação para integração de comandos elétricos;
  • Atendimento a emergências: nas gerências de suporte técnico, plantão para responder a problemas críticos.

Boa parte do trabalho é colaborativo. Engenheiros eletricistas conversam com mecânicos (responsáveis pela lista de cargas que define a demanda elétrica), com automação (que opera o controle dos equipamentos), com manutenção, operação e segurança do trabalho.

O preparatório mais completo da Petrobras

Estudar sozinho funciona, mas estudar com quem já passou acelera tudo. O preparatório mais completo da Petrobras aprovou 198 alunos no último concurso e entrega o que você precisa para sair na frente:

  • Mentoria com aprovados no concurso da Petrobras;
  • Material teórico completo e organizado por ênfase;
  • Videoaulas focadas no que mais cai;
  • Banco de questões focado na banca Cesgranrio.

A frente de embarque: fiscal de sonda

Para quem quer experiência embarcada, a porta de entrada do engenheiro eletricista costuma ser a atuação como fiscal de sonda. Sondas são plataformas afretadas que fazem a perfuração inicial dos poços, antes da chegada da plataforma de produção definitiva.

O engenheiro eletricista fiscal de sonda atua em regime de embarque (geralmente 14×21), com tarefas como:

  • Acompanhamento dos sistemas elétricos da sonda;
  • Verificação de conformidade técnica com os padrões Petrobras;
  • Interface entre a empresa contratada (operadora da sonda) e a Petrobras;
  • Identificação e tratamento de não conformidades.

É um cargo de relevância crescente, embora ainda em volume bem menor que vagas embarcadas em mecânica e engenharia de petróleo. Veja o dia a dia em dia a dia do trabalho embarcado na Petrobras e a comparação geral em engenheiro mecânico na Petrobras.

A frente da Universidade Petrobras: capacitação como carreira

Uma rota interessante e pouco conhecida é a atuação na Universidade Petrobras (UP), o braço de capacitação interna da empresa. Engenheiros eletricistas atuam na UP como instrutores de curso de formação, responsáveis técnicos pelo compartilhamento de conhecimento e consultores quando alguma unidade operacional precisa de apoio especializado.

Quem atua na UP combina o trabalho de docência com a função técnica original, dando aula em cursos de formação para novos aprovados, prestando assistência técnica a refinarias e plataformas, e atuando como referência em casos críticos que escapam à capacidade de resolução das equipes locais.

É uma trajetória que faz sentido para profissionais com perfil didático e que querem se especializar em um tema específico, virando referência interna. A Universidade Petrobras tem o mesmo tempo de existência da própria Petrobras e oferece infraestrutura técnica relevante para a carreira. Veja em o que é a Universidade Petrobras e como ela funciona.

Quem é Alexandre Alil

O retrato detalhado da rotina apresentado neste guia vem de Alexandre Alil, engenheiro eletricista formado pela UFRJ que entrou na Petrobras em agosto de 2022 e atualmente trabalha como coordenador do curso de formação de elétrica na Universidade Petrobras, no Edibe (Rio de Janeiro).

Alexandre é responsável pela aplicação e correção de provas dos cursos de formação para novos engenheiros eletricistas, organiza visitas técnicas a unidades operacionais (refinarias, plataformas, Cabiunas, Macaé, Sembras) e atua como mentor no preparatório do Concurseiro Zero1. Antes da Petrobras, atuou como pesquisador e professor substituto do magistério superior. A trajetória dele mostra como um perfil acadêmico pode se conectar com a carreira na empresa, especialmente na frente de capacitação técnica.

Salário do engenheiro eletricista na Petrobras

O salário do engenheiro eletricista segue a mesma tabela das outras engenharias na Petrobras. O cargo de Profissional Júnior tem salário base de R$ 15.200,52 em regime administrativo, com remuneração total que ultrapassa R$ 19 mil mensais quando somados adicionais e benefícios. Em regime embarcado com sobreaviso, a remuneração total chega a mais de R$ 23 mil.

Além do salário mensal, o pacote inclui PLR anual (que pode ultrapassar R$ 52 mil em bons anos), férias com 100% de remuneração (em vez de 1/3 como na CLT padrão), anuênio (acréscimo anual sobre o salário base, em média de 1,5%), plano de saúde Saúde Petrobras + Unimed, previdência complementar Previ e diversos auxílios. Para os números detalhados, veja salário Petrobras engenheiro e benefícios da Petrobras.

Progressão de carreira: técnica ou gerencial

O engenheiro eletricista entra como Profissional Júnior. A partir daí, a carreira segue o modelo Y da Petrobras, com duas trajetórias paralelas:

  • Carreira técnica: avanço por especialização, com possibilidade de virar consultor, referência técnica e participar de projetos estratégicos da empresa;
  • Carreira gerencial: assunção de funções de liderança (coordenação, supervisão, gerência setorial, gerência geral).

A escolha entre as duas trajetórias acontece ao longo dos anos, em função de oportunidades e do perfil do profissional. Veja a estrutura completa em progressão de carreira na Petrobras.

O que mais atrai engenheiros eletricistas para a Petrobras

Quatro pontos costumam aparecer no relato de quem está na empresa há alguns anos:

  • Acesso a desafios técnicos únicos: áreas classificadas, sistemas elétricos offshore e instalações de grande porte são raras em outras empresas;
  • Capacitação contínua: a Universidade Petrobras e parcerias com instituições internacionais (Coursera, Harvard, Oxford via MAEX) garantem fluxo constante de aprendizado;
  • Estabilidade e remuneração: o pacote é um dos mais competitivos da indústria nacional;
  • Diversidade de carreira: o profissional pode mudar de gerência, cidade e até linha de atuação dentro da própria empresa.

O contraponto é a complexidade institucional típica de uma empresa grande: processos longos, hierarquia e necessidade de articulação entre muitas áreas. Para quem se adapta, isso vira parte do desafio. Veja análises em vale a pena trabalhar na Petrobras e em 3 histórias reais de aprovados na Petrobras.

Como se preparar para o concurso de engenheiro eletricista

O concurso para engenheiro eletricista da Petrobras é organizado pela Cesgranrio nas últimas edições, com prova de conhecimentos básicos (português, inglês) e conhecimentos específicos da ênfase. Os conteúdos específicos cobram circuitos elétricos, eletromagnetismo, conversão eletromecânica, sistemas de potência, instalações elétricas, eletrônica de potência e áreas classificadas, entre outros.

Para começar a se preparar, vale seguir o método em como estudar para o concurso Petrobras: 10 passos para começar do zero, montar o cronograma de estudos Petrobras e estudar por questões com o método de estudo por questões. Para entender a banca, veja prova Petrobras Cesgranrio.

Perguntas frequentes sobre engenheiro eletricista na Petrobras

Qual o salário de um engenheiro eletricista júnior na Petrobras?

O salário base é de R$ 15.200,52 em regime administrativo, com remuneração total que ultrapassa R$ 19 mil mensais quando somados adicionais. Em regime embarcado com sobreaviso, passa de R$ 23 mil. Os valores são do ACT 2023.

O engenheiro eletricista embarca em plataforma?

A frente embarcada existe principalmente como fiscal de sonda, em regime 14×21. O volume é bem menor que em mecânica ou engenharia de petróleo. A maioria das vagas é em regime administrativo, em refinarias, plataformas (apoio onshore), terminais e prédios administrativos.

O que são áreas classificadas?

São ambientes com presença potencial de gases inflamáveis, vapores ou poeiras combustíveis, onde uma faísca pode causar acidente grave. Os equipamentos elétricos usados nessas áreas precisam ter certificação específica, e o projeto elétrico precisa respeitar normas detalhadas. É uma das matérias obrigatórias do curso de formação para engenheiros eletricistas da Petrobras.

Como funciona o curso de formação para engenheiro eletricista?

O curso tem duração de 9 a 10 meses no Rio de Janeiro, no Edibe (Edifício Senado), com aulas de segunda a sexta das 8 às 18, ministradas por consultores e gestores experientes da Petrobras. Inclui provas, estudos de caso, visitas técnicas a refinarias, Cabiunas, Macaé e ao centro de pesquisas Sembras. Alguns cursos têm pós-graduação embutida.

É possível trabalhar na Universidade Petrobras como engenheiro eletricista?

Sim. A Universidade Petrobras (UP) é uma das gerências possíveis para o engenheiro eletricista, com atuação como instrutor de cursos de formação, consultor técnico transversal e responsável pelo compartilhamento de conhecimento entre as áreas da empresa.

 

Sobre o Autor

Willian Rabello

CEO no Concurseiro Zero1 | Líder da Missão de Aprovar +1000 pessoas em Concursos das Forças Armadas e Concursos de Engenharia

Ingressei na faculdade de engenharia mecânica em 2010, movido por uma paixão pelas áreas exatas e um foco indomável. Em 2015, após concluir meu curso e iniciar um estágio promissor na WEG, encontrei-me em uma encruzilhada profissional devido à crise econômica. No entanto, a adversidade foi o combustível que precisava para me reinventar. Com apenas 78 dias de preparação e uma dedicação incomparável, fui aprovado no concurso de engenharia para a Marinha do Brasil.

Na Marinha, não apenas vivenciei a engenharia em sua forma mais pura, trabalhando em projetos ambiciosos como o submarino nuclear, mas também absorvi valores intangíveis de liderança, gestão e disciplina. Cada desafio, cada projeto e cada experiência me moldaram e ampliaram minha compreensão do impacto direto que poderia ter na vida das pessoas.

Hoje, sinto-me plenamente realizado ao ver que minha jornada profissional tem o poder de transformar vidas com o Concurseiro Zero1. Cada vitória, cada aprendizado e cada sacrifício valeram a pena. Acredito firmemente que, independentemente dos obstáculos que enfrentamos, com dedicação, esforço e coragem, a vitória é sempre possível. E é essa mentalidade que desejo instigar em todos ao meu redor, para que possam também conquistar seus sonhos e proporcionar um futuro melhor para si mesmos e suas famílias.

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