Atualizado em julho de 2026.
- Dá para trabalhar fora do Brasil pela Petrobras por duas rotas: a expatriação formal (transferência de um empregado) e a contratação local pela subsidiária no exterior.
- A expatriação formal é concorrida e costuma priorizar cargos de gestão; a contratação local é o caminho menos conhecido.
- O primeiro passo é entrar na Petrobras — sem o vínculo com a empresa, não há expatriação.
- Estudar agora para o concurso é o que abre a porta para essas oportunidades lá na frente.
Trabalhar fora do Brasil pela Petrobras é possível por duas rotas: a expatriação formal (a empresa transfere um empregado brasileiro para uma subsidiária no exterior) e a contratação local (a subsidiária estrangeira contrata diretamente, com currículo e entrevista, sem concurso). A regra geral da expatriação formal envia praticamente apenas gerentes, com fila de espera que pode passar dos 15 anos de empresa. O atalho pouco conhecido é mandar currículo diretamente para a subsidiária no exterior, como faz qualquer empresa privada. A Petrobras tem (ou teve) operações em Estados Unidos, Colômbia, Argentina, Peru, Holanda, Japão, Nigéria, Angola e outros países. Neste guia você entende cada rota e como aumentar a chance de conseguir.
É um dos temas que mais geram interesse entre engenheiros e candidatos avançados, e onde mais circulam expectativas irrealistas. Vamos aos detalhes.
Onde a Petrobras tem operações no exterior
A Petrobras já teve presença em vários países do mundo e ainda mantém escritórios e operações fora do Brasil. As localizações típicas, conforme o histórico recente, incluem:
| Localização | Tipo de operação |
|---|---|
| Houston (EUA) | Escritório comercial e técnico (operação reduzida após venda de campos no Golfo do México) |
| Colômbia | Exploração e produção |
| Argentina | Operações regionais |
| Holanda | Escritório comercial e financeiro |
| Japão | Escritório comercial |
| Nigéria | Operação histórica em E&P |
Importante notar que o portfólio internacional da Petrobras mudou nos últimos anos. Operações em Angola, Estados Unidos e outras regiões foram total ou parcialmente vendidas em períodos recentes. O que existe hoje pode ser diferente do que existirá daqui a alguns anos.
Para o cenário atual de expansão e prioridades da empresa, veja margem equatorial Petrobras.
Rota 1: a expatriação formal (a fila dos gerentes)
A expatriação formal acontece quando a Petrobras decide enviar um empregado brasileiro para trabalhar em uma subsidiária no exterior. A regra geral, segundo Henry Fiorença, engenheiro master da Petrobras há 25 anos, é que a expatriação fica restrita a gerentes.
Pontos-chave da expatriação formal:
- Praticamente só gerentes vão: a empresa envia funcionários em cargo de gestão (gerente setorial, gerente de linha, gerente geral);
- Cargo desce um nível ao expatriar: um gerente geral vai como gerente de linha, um gerente de linha vai como gerente setorial, e assim por diante. Isso porque a posição equivalente lá fora tem outra hierarquia;
- Salário sobe: apesar da queda de nível formal, o salário em dólar costuma ser bem maior que o brasileiro equivalente, com benefícios adicionais (habitação, escola para filhos, transporte);
- Fila longa: candidatos a expatriação podem esperar 10 a 15 anos pelo turno, dependendo da carreira e da relação política interna.
O candidato típico que consegue expatriação tem 15 a 25 anos de empresa, histórico forte de performance, fluência em inglês (ou no idioma do país) e rede de contatos consolidada com diretores e gerentes seniores. Veja a trajetória que leva a isso em carreira em Y na Petrobras.
Rota 2: a contratação local (o atalho)
O atalho pouco conhecido é mandar currículo diretamente para a subsidiária estrangeira. Como cada subsidiária opera sob a legislação trabalhista do país onde está, ela contrata pessoal local como qualquer empresa privada: por currículo, entrevista e teste, sem concurso público.
Henry Fiorença conta o caso real de uma colega: engenheira submarina com três anos de Petrobras no Rio de Janeiro, casada com um jornalista americano transferido para Houston. Ela tentou pela rota formal, descobriu que esperaria mais de 10 anos. Decidiu mandar currículo diretamente para a Petrobras America (PAI), explicou a situação, e foi contratada como funcionária local da subsidiária.
Características da contratação local:
- Processo seletivo é privado: currículo, entrevistas, eventualmente teste técnico, conforme prática da subsidiária;
- Você sai da estatutária brasileira: vira funcionário da empresa estrangeira que é subsidiária da Petrobras, com regime trabalhista do país;
- Salário em moeda local: dólar, euro, peso, conforme o caso;
- Estabilidade muda: você passa a operar sob a legislação trabalhista local, não a brasileira. Em muitos países, isso significa menos estabilidade que a estatutária da Petrobras Brasil;
- Caminho de volta não é automático: voltar para a Petrobras Brasil depois exigiria novo concurso ou negociação interna, não é garantido.
O atalho não é trivial nem livre de riscos, mas existe e foi usado por brasileiros que conseguiram trabalhar fora pela cadeia Petrobras sem esperar 15 anos. Aprofunde em vale a pena trabalhar na Petrobras.
O preparatório mais completo da Petrobras
Estudar sozinho funciona, mas estudar com quem já passou acelera tudo. O preparatório mais completo da Petrobras aprovou 198 alunos no último concurso e entrega o que você precisa para sair na frente:
- Mentoria com aprovados no concurso da Petrobras;
- Material teórico completo e organizado por ênfase;
- Videoaulas focadas no que mais cai;
- Banco de questões focado na banca Cesgranrio.
Por que a empresa prefere contratar localmente
A Petrobras geralmente prioriza contratação local nas subsidiárias por motivos práticos:
- Custo: pagar salário em dólar é caro; contratar localmente custa menos que expatriar com pacote completo (habitação, escola, viagens);
- Estabilidade da operação: profissional local conhece a cultura, o idioma, os fornecedores e as práticas do país;
- Risco trabalhista: expatriar gera questões legais complexas (visto, tributação, previdência) que aumentam o risco;
- Reputação local: contratar gente do país melhora a imagem da empresa naquele mercado.
Por isso, a expatriação fica restrita aos cargos onde o conhecimento institucional brasileiro é insubstituível: gerência geral, gerência de linha, posições estratégicas que conectam a operação local ao escritório central no Brasil.
As vantagens reais da expatriação
Para quem chega à expatriação formal, o pacote costuma ser muito atraente:
- Salário em moeda forte: dólar, euro ou equivalente, geralmente 50% a 100% maior em valor absoluto comparado ao Brasil;
- Auxílio habitação: apartamento ou casa pago ou subsidiado;
- Escola internacional para filhos: muitas vezes paga pela empresa;
- Viagens de retorno: passagens periódicas para visita ao Brasil;
- Experiência internacional: o currículo ganha peso global, com impacto positivo na carreira pós-retorno;
- Aprendizado cultural: viver em outro país amplia repertório pessoal e profissional.
Para muitos empregados, a expatriação é vista como um prêmio de carreira, e por isso a fila é tão longa. Veja o pacote brasileiro em benefícios da Petrobras.
Os desafios pouco mencionados
Quem só ouve falar nas vantagens da expatriação tem expectativa irrealista. Os desafios reais incluem:
- Idioma fluente é mandatório: inglês de negócios e técnico, com domínio para reuniões longas, leitura de contratos e comunicação por e-mail;
- Choque cultural: a forma de trabalhar muda entre países; o gerente brasileiro pode encontrar resistência à sua forma de gestão em uma equipe holandesa, americana ou japonesa;
- Distância da família e amigos: viver fora significa abrir mão de presença em casamentos, formaturas, doenças de pais idosos;
- Volta ao Brasil pode ser difícil: a “reintegração” depois de anos fora gera ajustes de carreira; sua posição pode ter sido ocupada por outro empregado;
- Custo de vida pode comer o ganho: cidades como Nova York, Tóquio ou Amsterdã têm custo de vida que neutraliza parte do aumento salarial nominal.
Antes de buscar a expatriação, vale conversar com quem já fez. A experiência real costuma ser mais complexa que o brilho do salário em dólar. Aprofunde em 3 histórias reais de aprovados na Petrobras.
Como aumentar suas chances de ir para o exterior
Quatro ações concretas que aumentam a probabilidade de conseguir uma posição internacional pela Petrobras, seja por expatriação ou contratação local:
- Fluência em inglês desde cedo: sem inglês de negócios, nenhuma das duas rotas funciona. Comece a estudar antes mesmo do concurso;
- Sinalize interesse com clareza: avise sua gerência e sua liderança que você tem interesse em expatriação; sem essa sinalização, seu nome não entra nas listas;
- Construa rede com gerentes e diretores: a expatriação passa por indicação interna; relacionamentos profissionais consolidados abrem portas;
- Para a rota local, mande currículo: pesquise quais subsidiárias estão contratando, atualize seu LinkedIn no idioma local, candidate-se diretamente.
Quem se prepara de forma ativa, com horizonte de longo prazo, tem chance real. Quem só fala em “querer ir para fora” sem fazer nada concreto, em geral fica no Brasil. Veja o início da preparação em como estudar para o concurso Petrobras.
A diferença entre expatriação e curso internacional
Vale distinguir trabalhar no exterior pela Petrobras de fazer um curso internacional pela empresa. Os dois caminhos existem, mas são diferentes:
- Expatriação: você muda de país por anos, com vínculo de trabalho. Esta é a temática deste guia;
- Curso internacional: programas como o MAEX (com módulos em Harvard, Oxford, Princeton e outras) levam empregados para imersões acadêmicas de algumas semanas no exterior, com retorno ao Brasil.
Os dois enriquecem a carreira, mas servem a propósitos diferentes. O curso internacional é uma capacitação de elite; a expatriação é uma mudança de vida. Para o cenário acadêmico internacional, veja o que é a Universidade Petrobras.
O cenário muda: portfólio internacional ajustado
É importante saber que o portfólio internacional da Petrobras passou por muitas mudanças nos últimos anos. Operações vendidas, ativos transferidos, escritórios reduzidos. O exemplo mais marcante: o escritório de Houston, que chegou a ter cerca de 300 empregados administrando os campos Chinook e Cascade no Golfo do México, ficou com cerca de 12 a 13 pessoas após a venda dos campos, restando apenas área comercial.
Isso significa que candidatos a expatriação ou contratação local precisam acompanhar:
- Onde a Petrobras tem operação ativa hoje;
- Quais escritórios estão expandindo ou se reduzindo;
- Quais áreas técnicas têm demanda em cada subsidiária;
- Como o cenário macropolítico (governo, OPEP, geopolítica) afeta o portfólio internacional.
O que valia há cinco anos pode não valer hoje. Quem planeja carreira internacional pela Petrobras precisa atualização constante. Aprofunde em por que a Petrobras vai abrir concurso.
Perguntas frequentes sobre trabalhar fora do Brasil pela Petrobras
Como posso trabalhar no exterior pela Petrobras?
Há duas rotas: a expatriação formal (a Petrobras Brasil transfere o empregado para uma subsidiária estrangeira) e a contratação local (a subsidiária no exterior contrata diretamente, com currículo e entrevista, sem concurso). A primeira rota é mais restrita a gerentes; a segunda é mais aberta.
Em quais países a Petrobras tem operação?
A empresa tem (ou já teve) operações em Estados Unidos (Houston, hoje com equipe reduzida), Colômbia, Argentina, Peru, Holanda, Japão, Nigéria, Angola (vendida) e outros países. O portfólio internacional mudou bastante nos últimos anos.
Quanto tempo de empresa para ir como expatriado?
Geralmente 10 a 15 anos de empresa para entrar na fila, com mais alguns anos de espera. A expatriação formal envia praticamente apenas gerentes. Para quem não quer esperar tanto, a rota da contratação local é mais rápida.
Quanto ganha um expatriado da Petrobras?
Salário em moeda forte (dólar ou equivalente), geralmente 50% a 100% maior em valor absoluto que o brasileiro equivalente. Soma-se auxílio habitação, escola internacional para filhos e viagens de retorno. Mas o custo de vida nas cidades-destino pode neutralizar parte do ganho.
Como funciona a contratação local em subsidiária estrangeira?
Como qualquer empresa privada: você manda currículo para a subsidiária, passa por entrevistas e teste, e se aprovado vira funcionário local. Não é necessário concurso público, porque cada subsidiária opera sob a legislação trabalhista do país onde está.