Eleições 2026 Podem Privatizar a Petrobras? O Que Cada Candidato Disse

Fachada da sede da Petrobras no Rio de Janeiro iluminada à noite

Atualizado em 1 de outubro de 2026.

Situação atual

  • A eleição presidencial acontece em 04/10/2026. O novo governo só toma posse em 05/01/2027.
  • A prova da Transpetro está marcada para 06/12/2026, antes da posse de qualquer candidato.
  • O concurso técnico da Petrobras tem validade até junho de 2027. O de nível superior já está com a vigência vencida e pode ter novo edital a qualquer momento, com banca (Cesgranrio) já contratada.
  • A Petrobras afirma oficialmente não ter, no momento, previsão de novo processo seletivo público.

Essa pergunta tomou conta do WhatsApp, do Instagram e dos comentários de quem estuda para Petrobras e Transpetro nas últimas semanas: e se um determinado candidato ganhar, a Petrobras vai ser vendida? Os concursos acabam?

É uma dúvida que faz sentido. Você estuda à noite depois de 8 horas de trabalho, e de repente alguém no grupo manda um áudio dizendo que a empresa pode nem existir mais do jeito que você conhece. Este artigo reúne, com fonte verificável, o que cada um dos seis principais candidatos à presidência disse sobre a Petrobras, cruzado com o histórico real de concursos nos últimos governos. Sem achismo, só dado.

 

O Que “Privatizar a Petrobras” Pode Significar

Antes de falar de candidato, vale separar uma confusão comum. Quando alguém fala em “privatizar a Petrobras”, pode estar se referindo a três coisas bem diferentes, e a diferença entre elas muda completamente o que acontece com o concurso.

1. Venda do controle da empresa

Hoje a União detém a maioria das ações com direito a voto da Petrobras, conforme a Lei do Petróleo (Lei nº 9.478/1997, artigo 62). Vender o controle de verdade significaria o governo abrir mão dessa maioria, e isso não depende só da vontade do presidente: precisa de mudança na lei, que passa pelo Congresso Nacional. Foi exatamente esse caminho que a Eletrobras percorreu, em um processo que levou anos de debate e votação.

2. Venda de pedaços (ativos)

Diferente da venda de controle, vender ativos específicos (uma refinaria, um campo de petróleo maduro, uma subsidiária) já aconteceu várias vezes nos últimos anos, independentemente de quem estava no governo. A BR Distribuidora, por exemplo, foi vendida, assim como refinarias e campos considerados pouco rentáveis para a operação principal da companhia.

3. Concessão

Nesse modelo, o governo continua sendo o dono formal da empresa ou do ativo, mas permite que uma empresa privada opere por um período determinado. É um meio-termo entre manter tudo estatal e vender de verdade.

 

Por Que Essa Diferença Importa Para Quem Estuda Para Concurso

A Petrobras contrata exclusivamente por concurso público porque é uma sociedade de economia mista, e a Constituição Federal exige concurso público para esse tipo de contratação. Se, em algum momento, a empresa deixar de ser controlada pelo governo (o primeiro cenário, o mais extremo e o mais difícil de acontecer), ela deixaria de ser obrigada a contratar por concurso e passaria a contratar como qualquer empresa privada.

Já vender pedaços da empresa, o segundo cenário, muda o tamanho da Petrobras, mas não muda a natureza jurídica dela nem acaba com a obrigatoriedade de concurso. É essa distinção que explica por que, mesmo com vendas de ativos acontecendo ao longo dos últimos governos, a Petrobras seguiu fazendo concursos.

 

O Que Cada Candidato Disse Sobre a Petrobras

A base desta análise é o levantamento publicado pelo jornal O Globo em 21 de setembro de 2026, sobre a posição dos seis principais presidenciáveis em relação às estatais, complementado por reportagens da CNN Brasil e de outros veículos. A ordem abaixo é alfabética, para não sugerir preferência por nenhum candidato.

Augusto Curi (Avante)

O programa de governo de Curi não propõe uma política geral de privatizações. Em sabatina na Jovem Pan, ele defendeu manter a Petrobras estatal, com o lucro da empresa direcionado para financiar crédito barato a pequenos negócios. Mais recentemente, passou a defender a venda de estatais consideradas ineficientes, citando os Correios como exemplo, mas sem incluir a Petrobras nesse grupo.

Flávio Bolsonaro (PL)

É o candidato que mais gera dúvida, por isso merece um detalhamento maior. Em agosto de 2026, o coordenador de campanha, senador Rogério Marinho, declarou a jornalistas em Brasília, segundo a CNN Brasil, que não há nenhum plano para privatizar a Petrobras, chamando a empresa de “estratégica para o Brasil”. Essa é a posição oficial atual da campanha.

Ao mesmo tempo, o programa de governo propõe retomar o Programa Nacional de Desestatização, avaliando estatais caso a caso, sem lista fechada. A coordenadora econômica da campanha, Daniela Marques, chegou a citar mais de 20 estatais candidatas à privatização, incluindo o Banco do Brasil, mas sem incluir a Petrobras ou a Caixa nesse grupo. O próprio Rogério Marinho não descartou a venda de ativos pontuais, como postos maduros pouco rentáveis, prática já usada em outros momentos. Em dezembro de 2025, antes do programa de governo ser fechado, Flávio havia dito à Reuters que a Petrobras era “complexa demais” e que seus segmentos poderiam ser avaliados separadamente. De lá para cá, a posição oficial da campanha se firmou contra a privatização da empresa como um todo.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Lula vai na direção oposta da maioria dos outros candidatos: o programa trata a Petrobras explicitamente como estratégica. Na campanha, defendeu inclusive recuperar o controle estatal sobre a BR Distribuidora e a Eletrobras, vendidas em 2022, e desde 2023 removeu dez empresas do programa de privatização em vigor. Na visão dessa candidatura, a Petrobras não apenas permanece estatal como poderia recuperar ativos que saíram do controle público.

Renan Santos (Missão)

Renan Santos critica a ideia de privatizar indiscriminadamente. Ele descartou publicamente a venda da Petrobras e da Embrapa, que considera estratégicas, mas defende privatizar estatais sem função estratégica na visão dele, citando os Correios como exemplo.

Romeu Zema (Novo)

Zema é o único, entre os seis, que defende abertamente vender a Petrobras por completo. Segundo o coordenador econômico da campanha, Carlos da Costa, em declaração ao O Globo, a proposta é privatizar tanto o Banco do Brasil quanto a Petrobras para reduzir a dívida pública e os juros. A ideia discutida é vender a empresa em blocos (exploração, produção e refino separadamente) e usar os recursos em infraestrutura de estradas, ferrovias, hidrovias e portos. A Caixa ficaria de fora dessa proposta, por causa da função social do banco.

Ronaldo Caiado (PSD)

O foco de Caiado está em concessões, não em privatização em massa. Em entrevista à GloboNews, ele descartou privatizar a Petrobras inteira, mas afirmou que a área de gás da empresa poderia ser negociada com o setor privado. Ao mesmo tempo, elogiou a atuação da companhia em águas profundas, classificando-a como referência mundial no segmento.

 

O Placar Real: Só Um Candidato Defende Vender a Petrobras Inteira

Olhando só para os fatos levantados, dos seis candidatos analisados, apenas Romeu Zema defende explicitamente a venda total da Petrobras. Os outros cinco (Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Curi e Renan Santos) concordam que a empresa deve seguir estatal, divergindo entre si apenas sobre vender ativos pontuais ou firmar concessões em áreas específicas, como o gás.

Esse placar contrasta com boa parte do que circula em vídeos e mensagens alarmistas, que tratam qualquer resultado da eleição como sinônimo do fim dos concursos. Os dados públicos mostram um cenário bem mais equilibrado do que esse discurso sugere. Veja o resumo lado a lado:

Candidato Posição sobre a Petrobras
Augusto Curi Contra privatizar a Petrobras; defende usar o lucro da empresa para crédito a pequenos negócios
Flávio Bolsonaro Posição oficial da campanha contra privatizar a Petrobras; não descarta venda de ativos pontuais
Luiz Inácio Lula da Silva Trata a Petrobras como estratégica; defende recuperar ativos vendidos em governos anteriores
Renan Santos Descarta vender a Petrobras, considerada estratégica; defende privatizar estatais sem essa função
Romeu Zema Único a defender abertamente a venda total da Petrobras, em blocos, para reduzir a dívida pública
Ronaldo Caiado Descarta privatizar a empresa inteira; defende negociar apenas a área de gás por concessão

Fonte: levantamento de O Globo (21/09/2026), complementado por CNN Brasil e outras reportagens citadas ao longo deste artigo.

 

O Histórico Real de Concursos, Governo a Governo

A segunda parte importante dessa análise é entender como o número de empregados da Petrobras e a realização de concursos se comportaram nos últimos governos, porque esse histórico ajuda a separar o que é ciclo político do que é necessidade operacional da empresa.

2013 a 2018 (Dilma e Temer)

Em 2013, a Petrobras tinha cerca de 86 mil empregados. Em 2018, esse número já havia caído para aproximadamente 63 mil. O período foi marcado pela queda do preço internacional do petróleo, pela Operação Lava Jato e por um forte aumento da dívida da empresa. A partir de 2016 começaram os Programas de Demissão Voluntária (PDVs). Mesmo assim, houve concursos da Petrobras em 2017 e 2018, e também da Transpetro em 2018.

2019 a 2022 (Bolsonaro)

O quadro de empregados seguiu caindo, de cerca de 63 mil para 45 mil, segundo levantamento do Poder360. Os PDVs continuaram até o fim de 2021, somando mais de 17 mil desligamentos entre 2016 e 2021, no mesmo período em que a empresa seguiu vendendo ativos como a BR Distribuidora, refinarias e postos. Ainda assim, em dezembro de 2021 saiu o edital com o maior número de vagas da história para nível superior, com cerca de 4.500 vagas ao todo, e a Transpetro também teve concurso nesse mesmo ano.

2023 em diante (Lula)

Em fevereiro de 2023, saiu um edital com 373 vagas imediatas, mais cerca de 700 vagas de cadastro de reserva. No fim de 2023 veio o maior concurso técnico dos últimos anos, com quase 7 mil vagas ao todo, e a Transpetro também teve concurso nesse ano, com aproximadamente 1.500 vagas, além do processo seletivo aberto mais recentemente, já em 2026.

O que esse histórico ensina

A queda no quadro de pessoal começou ainda em 2013 e 2014, e cada período teve um motivo diferente: crise do petróleo, venda de ativos, redução de investimentos, aumento da dívida, casos de corrupção. Apesar disso, todos os períodos analisados tiveram concurso, inclusive os mais marcados por PDVs e venda de ativos. Isso porque o concurso da Petrobras nasce, fundamentalmente, de uma necessidade operacional real: plataforma nova precisa de gente, refinaria precisa de gente, gente se aposenta e o cadastro de reserva se esgota. O governo pode acelerar ou desacelerar esse ritmo, mas não consegue eliminar essa necessidade.

 

O Que Isso Muda Para Quem Está Estudando Agora

Separando o debate político do que realmente importa para a sua preparação, três pontos merecem atenção direta:

1. A prova da Transpetro acontece antes de qualquer posse

A prova da Transpetro está marcada para 06/12/2026. A eleição é em 04/10/2026, mas o novo presidente só toma posse em 05/01/2027. Ou seja, a prova da Transpetro acontece antes de qualquer mudança efetiva de governo. Trocar de presidente não cancela prova, não cancela convocação e não cancela nenhuma etapa já em andamento.

2. O concurso atual da Petrobras segue valendo

O concurso técnico vigente da Petrobras tem validade até junho de 2027. O de nível superior já está com a vigência vencida há mais tempo e pode ter novo edital a qualquer momento, até porque a banca Cesgranrio já está contratada para organizar os próximos processos seletivos da empresa, independentemente de quem vencer a eleição.

3. Uma privatização de verdade é um processo longo

Mesmo no cenário mais extremo discutido, a venda total do controle da Petrobras, a mudança precisa passar pelo Congresso Nacional, com debate, votação e disputa política. A Eletrobras levou anos nesse processo. Não é algo que acontece da noite para o dia, e não é algo que vai “pegar” ninguém no meio da preparação ou no meio da prova.

 

Como Separar Fato de Boato Nessa Reta Final de Eleição

Com a eleição próxima, é natural que o volume de conteúdo sobre o tema explode, e nem tudo que circula tem o mesmo nível de cuidado com a fonte. Algumas perguntas simples ajudam a filtrar o que vale a pena levar em consideração:

  • A informação cita uma fonte verificável? Declaração em entrevista, matéria de veículo de imprensa reconhecido, trecho de programa de governo. “Dizem por aí” não é fonte.
  • A pessoa que fala é da campanha ou só alguém repetindo um boato? No caso de Flávio Bolsonaro, por exemplo, a diferença entre a declaração oficial do coordenador de campanha e um comentário solto em rede social muda completamente o peso da informação.
  • A afirmação confunde venda de ativos com venda de controle? Como vimos, são coisas bem diferentes, e muito boato nasce justamente dessa confusão.
  • A data bate com o calendário real do concurso? Vale sempre checar se o que está sendo dito se encaixa no que já está confirmado: prova da Transpetro em 06/12/2026, validade do concurso técnico até junho de 2027, banca já contratada para o próximo ciclo da Petrobras.

Esse tipo de checagem simples evita que você tome decisões importantes sobre a sua preparação, como parar de estudar ou mudar de concurso, baseado em um áudio de WhatsApp sem nenhuma fonte por trás.

 

O Que Você Controla Nessa Equação

Você não controla o resultado da eleição. Não controla o que cada candidato pensa sobre a Petrobras. Não controla quando o próximo edital de nível superior vai sair. O que você controla é quantas horas você senta para estudar nesta semana, com os dados reais que já existem hoje, em vez de boatos. Para entender a estrutura completa do próximo concurso, acompanhe também o guia completo do concurso da Petrobras e o guia completo do concurso Transpetro 2026.

Perguntas frequentes

A eleição de 2026 pode cancelar o concurso da Petrobras ou da Transpetro?

Não diretamente. A prova da Transpetro acontece antes da posse do novo governo, e o concurso técnico da Petrobras segue valendo até junho de 2027, independentemente do resultado da eleição.

Algum candidato defende vender a Petrobras inteira?

Entre os seis principais candidatos analisados, apenas Romeu Zema defende abertamente a venda total da empresa. Os demais defendem manter a Petrobras estatal, com diferenças sobre vender ativos pontuais ou firmar concessões específicas.

Uma privatização da Petrobras pode acontecer rapidamente, logo após a posse?

Não. Vender o controle da Petrobras exige mudança de lei, que passa pelo Congresso Nacional, em um processo de debate e votação que costuma levar anos, como ocorreu com a Eletrobras.

A Petrobras sempre fez concurso, mesmo em períodos de corte de pessoal?

Sim. Mesmo em períodos de PDV e venda de ativos, como entre 2016 e 2021, a Petrobras realizou concursos, porque a necessidade de pessoal nas plataformas e refinarias não desaparece com os cortes administrativos.

Sobre o Autor

Willian Rabello

CEO no Concurseiro Zero1 | Líder da Missão de Aprovar +1000 pessoas em Concursos das Forças Armadas e Concursos de Engenharia

Ingressei na faculdade de engenharia mecânica em 2010, movido por uma paixão pelas áreas exatas e um foco indomável. Em 2015, após concluir meu curso e iniciar um estágio promissor na WEG, encontrei-me em uma encruzilhada profissional devido à crise econômica. No entanto, a adversidade foi o combustível que precisava para me reinventar. Com apenas 78 dias de preparação e uma dedicação incomparável, fui aprovado no concurso de engenharia para a Marinha do Brasil.

Na Marinha, não apenas vivenciei a engenharia em sua forma mais pura, trabalhando em projetos ambiciosos como o submarino nuclear, mas também absorvi valores intangíveis de liderança, gestão e disciplina. Cada desafio, cada projeto e cada experiência me moldaram e ampliaram minha compreensão do impacto direto que poderia ter na vida das pessoas.

Hoje, sinto-me plenamente realizado ao ver que minha jornada profissional tem o poder de transformar vidas com o Concurseiro Zero1. Cada vitória, cada aprendizado e cada sacrifício valeram a pena. Acredito firmemente que, independentemente dos obstáculos que enfrentamos, com dedicação, esforço e coragem, a vitória é sempre possível. E é essa mentalidade que desejo instigar em todos ao meu redor, para que possam também conquistar seus sonhos e proporcionar um futuro melhor para si mesmos e suas famílias.

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